RIO GRANDE DO SUL

Diretora de publicidade do Governo Eduardo Leite pede boicote as empresas que não coadunam com bandidolatria

Michelle Raphaelli, por meio das redes sociais, pediu o boicote econômico das empresas que retiraram o apoio a rádio Timeline, liga a RBS, filiada a Rede Globo, após os jornalistas David Coimbra e Kelly Matos defenderem os bandidos que aterrorizaram Criciúma no início na madrugada de terça-feira (1º/12).

Raphaelli, que já atuou como jornalista da RBS, disse: “Tribunal insano de imbecis!! O jornalismo que perde com tudo isso. Tô promovendo um boicote às marcas que fizeram nota de repúdio tão parecias e moralistas (e burras)… oportunista! #TamoJunto”.

Cabe a Michelle, em sua função, empenhar a verba de propaganda do estado. Fica a seu critério quanto vai para cada veículo. O governador do Estado, Eduardo Leite, não se pronunciou e nem retornou a tentativa de contato da redação.

O caso

O jornalista David Coimbra, colunista do Gaúcha ZH, em entrevista na quarta-feira (02/12), no programa Timeline Gaúcha, disse que vê “uma filosofia no assalto” e que se “não houvesse intervenção tudo sairia numa boa”.

“Aí o cara disse[se referindo ao bandido]: 2 mil, 3 mil reais. Tá vendo só, por isso estamos assaltando. Não estamos tirando dinheiro de ninguém. É dinheiro do banco”. Deram uma explicação né? Uma justificativa ideológica para o ato dele. Então existe uma filosofia no assalto deles. Teve um vídeo que eu recebi, que o cara estava filmando e o assaltante disse: “não filma” e o morador disse “desculpa”. Mas o cara não fez nada. Só advertiu para que ele continuasse sua ação em paz. Entendeu? É verdade que teve um policial que levou um tiro e um vigilante também. Mas se não houvesse intervenção, tudo sairia na boa”, disse o jornalista.

Kelly Matos, jornalista que estava na bancada, emendou: “Crime não é roubar um banco, mas fundar um banco”, parafraseando o teatrólogo comunista alemão Bertold Brecht, inimigo mortal das empresas privadas.

Polícia Rodoviária Federal

Por meio de nota, a PRF rechaçou os comentários dos globais, e disse que “foi com perplexidade” que tomaram conhecimento do posicionamento dos jornalistas durante o programa e, completou: “A situação criminal ocorrida na madrugada de terça-feira não se exaure naquele momento. As pessoas utilizadas como reféns terão marcas em suas trajetórias. Os policiais envolvidos estão arriscando a vida para tentar capturar os criminosos. A população está se sentindo com medo e acuada. É precisa salientar que não existe ‘bom assaltante que não incomoda as pessoas’. Todos os crimes causam danos e reflexos negativos na vida social. Condutas criminosas não deveriam ter um valor de estima, pois não existiu qualquer “moral ou ética” na ação criminosa de Criciúma”.

Repudio

Após a repercussão negativa das falas dos jornalistas, as empresas investidoras do programa retiraram o apoio e publicaram notas de repúdio. Entre as empresas estão o ‘Shopping Total’ que afirmou que não chancela os posicionamentos dos comunicadores, fora do contexto, da realidade e da legalidade da pauta (…) Já solicitamos a exclusão da veiculação destes anúncios do programa”.

A ‘Família Salton’, que está há 110 anos no mercado dos vinhos, disse que valoriza a família, a tradição e as comunidades em que está inserida. Embora defenda a liberdade de expressão em todos os âmbitos, a Salton “esclarece que os comentários emitidos pelos apresentadores do programa Timeline da Rádio Gaúcha (RBS) na última quarta-feira (2), sobre o assalto em Criciúma (SC), não condizem com os valores que a empresa defende”.

Zezé Biscoitos, fabricado pelos Irmãos Ruivos Ltda, com 52 anos de história no mercado alimentício retirou o patrocínio do programa em respeito aos seus consumidores. “Não há contexto possível para tais comentários no mínimo desrespeitosos e debochados, tendo em vista que bandidos sitiaram uma cidade, provocando pânico na população, e que dessa ação resultou em um policial gravemente ferido no exercício de sua tão valorosa atividade”, diz um trecho da nota.

Outra empresa que rescindiu o contrato foi a Cooperativa Santa Clara que, segundo a nota “em toda a sua história enalteceu e apoiou as entidades e ações em prol da segurança pública”.

O pedido de desculpas do jornalista

Em um tom jocoso, dando a entender que, quem viu relativização ou glorificação no comentário dele é intelectualmente limitado, “Não relativizei a ação dos bandidos. Não os glorifiquei, como algumas pessoas pensaram. Mas elas pensaram. Então, errei. E por isso peço desculpas”, inicia o jornalista que descreve o quanto o seu apoio foi importante para melhorar a segurança pública e para a criação do Instituto Cultural Floresta, em editorial no site “Gaúcha ZH”, David decorreu:

Não relativizei a ação dos bandidos. Não os glorifiquei, como algumas pessoas pensaram. Mas elas pensaram. Então, errei. E por isso peço desculpas.

Estávamos em 2017, na primavera fria de Boston, quando recebi uma visita intrigante: um empresário gaúcho que eu não conhecia e que queria muito falar comigo. Era um homem enérgico, que se expressava com a confiança dos que enxergam o futuro. Seu nome: Leonardo Fração.

Nos reunimos no restaurante de um hotel perto da minha casa e tivemos uma conversa agradável. Leonardo apresentou-me um projeto para melhorar a segurança pública no Rio Grande do Sul. Achei a ideia maravilhosa, arrisquei-me a fazer alguns palpites e garanti que sua iniciativa teria todo o meu apoio. Esse projeto se transformou no Instituto Cultural Floresta, que tanta ajuda deu à segurança pública do Estado, e, felizmente, continuará dando.

O apoio ao Instituto Floresta é, de certa forma, o corolário de toda a minha atuação como jornalista nessa área específica. Porque a valorização da segurança pública sempre foi um dos meus temas preferidos. Tenho cá uma frase que volta e meia repito, de que, se resolvermos os problemas de segurança, resolveremos 70% dos problemas do Brasil. É no que acredito, não apenas por conhecer bem o meio, desde os meus tempos de repórter de polícia, mas também pelo que experimento como cidadão.

Sei que o cidadão não suporta mais ter medo de sair à rua, de levar o filho para brincar numa praça, de rodar com seu carro à noite. Também sinto esse medo. Sem segurança, o cidadão perde sua própria cidade. Viver em segurança é mais do que um alívio; é uma bênção.

Nos últimos dias, o mundo desabou sobre minha cabeça, depois de um comentário que fiz no Timeline, da Gaúcha, a respeito dos assaltantes que atacaram Criciúma. Era um comentário irônico, provocativo, semelhante a tantos outros que fiz na minha trajetória. Mas muitas pessoas não entenderam assim, entenderam que falava a sério, ficaram furiosas comigo e com a minha companheira do Timeline, a Kelly Matos, que não teve responsabilidade nenhuma neste caso. A responsabilidade é toda minha, quem levantou o assunto fui eu, e a Kelly apenas fez algumas observações para ilustrar o que eu dizia.

Foi terrível que isso tenha acontecido, me senti muito mal. Ainda me sinto. Porque, se as pessoas não entenderam que estava fazendo uma ironia, a culpa não é delas. É minha.

Nunca louvei bandidos, nunca. E não poderia louvá-los justamente quando atacaram uma cidade que amo. Vivi um pedaço da minha vida em Criciúma, tenho lá amigos que são mais do que amigos; são irmãos. Fiquei horrorizado quando a cidade foi sitiada, e escrevi isso em GZH. Sofri quando vi os vídeos das pessoas aflitas, sofri quando meus amigos criciumenses me contaram o que passaram. E sofri ao saber que um PM foi baleado à covardia. Não relativizei a ação dos bandidos. Não os glorifiquei, como algumas pessoas pensaram. Mas elas pensaram. Então, errei. E por isso peço desculpas. Assumo o fardo desta responsabilidade e reforço que ela é só minha. Minha culpa, minha máxima culpa.

Kelly Matos

A jornalista Kelly Matos, que culpou o banco por ter sido assaltado e parafraseou o teatrólogo comunista alemão Bertold Brecht, inimigo mortal das empresas privadas: “Crime não é roubar um banco, mas fundar um banco”, também veio a público pedir desculpas. Enquanto David usa um tom emocional e compara seus amigos criciumenses a irmãos, Matos apela para a família, que mora no estado de Santa Catariana: “Somos de uma cidade um pouco mais ao sul, chamada Sombrio, mas os parentes que residem em Criciúma narraram que havia pânico para sair às ruas durante o dia, já que suspeitavam de bombas que pudessem ter sido espalhadas pela cidade”. Em tom quase dramático, apela para a memória do avô, morto em um acidente de carro: “em vida, meu avô tinha um orgulho imenso de contar que eu era repórter da Rádio Gaúcha. Era um homem humilde, só sabia escrever o próprio nome, com dificuldade. Era fã do Macedão e do Cléo Kuhn”.

Erramos. Diante do erro, não há outro caminho que não seja o da humildade. E reitero meu reconhecimento às forças policiais que atuam em prol dos cidadãos.

Era manhã de terça-feira (1º) quando fiquei sabendo sobre o ataque que havia deixado Criciúma sitiada. Eu tenho a péssima mania de espiar o celular mesmo quando ainda não está na hora de levantar. Quando abri o telefone, já havia mensagens que indicavam que algo não ia bem e, por isso, acionei amigos de Santa Catarina na busca de entender o que havia ocorrido. E não consegui mais dormir.

Talvez alguns de vocês não sabiam, mas minha família toda é do sul daquele Estado. Então, por piloto automático, minha primeira preocupação foi saber não sobre o evento jornalístico, mas verificar como estavam os meus familiares. Somos de uma cidade um pouco mais ao sul, chamada Sombrio, mas os parentes que residem em Criciúma narraram que havia pânico para sair às ruas durante o dia, já que suspeitavam de bombas que pudessem ter sido espalhadas pela cidade.

Fiquei tão mexida com a história que escrevi uma coluna sobre o tema. Em primeira pessoa, como esta que você está lendo agora. Lembrei do meu avô, seu Vitorino, que morreu num acidente de carro voltando de lá. Na ocasião, tinha ido a Santa Catarina buscar farinha, como se aqui não houvesse. Mas é que a farinha de Santa Catarina, você sabe, é inigualável.

Um parêntese: em vida, meu avô tinha um orgulho imenso de contar que eu era repórter da Rádio Gaúcha. Era um homem humilde, só sabia escrever o próprio nome, com dificuldade. Era fã do Macedão e do Cléo Kuhn.

Escrevo sobre o orgulho do meu avô — este catarinense de quem herdei a mania de falar muito e fazer amizade com todo mundo — pensando na vergonha que talvez ele sentisse da neta após o episódio envolvendo o programa que apresento na rádio, o Timeline. Se você não é assíduo nas redes sociais, eu lhe conto. Na quarta-feira (2), eu e meu amigo David Coimbra fomos infelizes ao fazer uma ironia — mal feita, sem nenhuma graça — sobre assaltos a bancos e a conduta dos criminosos. Ofendemos, de maneira muito equivocada, os irmãos catarinenses, os policiais por quem tenho tanta admiração e respeito (herança do seu Vitorino) e as instituições bancárias, que aliás também merecem a mesma consideração.

Com razão, ouvintes nos apontaram os dedos. De forma enfática, disseram que erramos. Sublinharam que, ao dizer o que dissemos, contribuímos para uma idolatria absolutamente sem sentido de criminosos que merecem ser punidos. No Brasil que chora pela violência praticada contra as famílias e seus cidadãos diariamente, nenhum assalto merece, jamais, ser aplaudido. Nem de brincadeira. Não tem a menor graça.

E, sim, caro leitor e cara leitora, quero dizer com todas as letras aqui para você: eu errei. Errei ao não interromper um colega, errei ao rir de uma ironia sem a menor graça, errei ao citar a frase que atribuí a um filme como se um ataque a banco pudesse merecer glória ou aplauso de quem quer que seja. Me coloquei no lugar da família do policial atingido, dos familiares e dos próprios reféns que agonizaram na mão de criminosos e de meus conterrâneos que sofreram com um ataque bárbaro e sem escrúpulos. E ali vi o tamanho da infelicidade. Eu errei. E peço desculpas sinceras por isso.

Pedir perdão não apaga em nada o que fizemos. É apenas um movimento na direção daquilo que considero um caminho correto — para o qual eu não rumei naquele dia, durante nossa fala no Timeline. Logo eu, que tenho a defesa da vida como um dos meus princípios mais caros. Que faço do respeito ao ser humano um dos meus propósitos diários, independente de quem seja o outro. Eu errei e falhei no meu compromisso em promover o respeito ao meu semelhante.

Hoje, após o episódio triste e lamentável que protagonizamos, eu quero me solidarizar com cada uma das pessoas que passaram pelo horror que foi aquela madrugada em Criciúma. Com mães, pais, filhos e filhas. Como os integrantes do 9º Batalhão de Polícia Militar. Com os trabalhadores das instituições bancárias.

Quero pedir desculpas às famílias dos reféns e do policial de Santa Catarina. Aliás, dizer aos policiais — catarinenses e gaúchos — que tenho imenso orgulho da missão que desempenham com alma e coragem contra bandidos que nos roubam o direito ir e vir, que dilaceram famílias a partir de latrocínios e homicídios, que roubam a infância de meninos e meninas levados pelo tráfico, que destroem o sonho de empreendedores por causa do cenário de medo e insegurança.

Também quero me desculpar com meus conterrâneos. Com todos aqueles que caminham comigo na direção de um mundo mais justo. Não sei se o gesto, de alguma forma, pode reduzir o peso do que eu e David dissemos. Mas é um pequeno passo na construção de um caminho de afeto, humildade e de tolerância, tal como meu avô gostaria que eu fizesse.

Não há como rir em uma sociedade que assiste diariamente a mortes violentas, sem que consigamos reverter as estatísticas. Não há, nem em sonho, espaço para ironia diante do esforço gigantesco de agentes da segurança — policiais civis e militares — para transformar o mundo em que vivemos em um lugar melhor, combatendo a criminalidade e protegendo a vida de gaúchos e catarinenses. Erramos. E, diante do erro, não há outro caminho que não seja o da humildade. Peço perdão. E reitero meu reconhecimento às forças policiais que atuam em prol dos cidadãos. Perdão”.

As notas

Mostrar mais

Artigos relacionados

275 Comentários

  1. Só se tentaram se redimir por conta da retirada dos patrocínios. Com certeza a diretoria pressionou os “jornazistas” pois não podem dar continuidade no seu “trabalho sério e de qualidade”, tipo padrão GROBO, se forem desmonetizados. Linda retratação, mas não colou não!!!!

  2. Péssima atitude deste governo sem rumo que está o Rio Grande do Sul a cada governo que entra mais enterra os gaúchos a fim do túnel estes que idolatram são todos de esquerda deste bandinha de governador.

  3. Vou comprar cada vez mais dessas marcas, que ainda prezam pelos valores necessários a uma sociedade. Gostaria de uma posição do senhor Governador, afinal essas empresas são grandes geradoras de impostos.

  4. I would like to thank you for the efforts you’ve put in writing this website. I am hoping the same high-grade website post from you in the upcoming also. Actually your creative writing abilities has encouraged me to get my own website now. Actually the blogging is spreading its wings quickly. Your write up is a good example of it.

  5. Hc care ile ne iyi leke kremine sahip olarak cildinize
    önem vermek için artık geç değil!
    Cilt lekelerine karşı benzersiz bir ürün olduğunu
    iddia ediyoruz, hc her konuda olduğu gibi leke kremi konusundada
    sizlere benzersiz kalitesini sunmaktan gurur duyuyor.

  6. Greate post. Keep posting such kind of information on your site.

    Im really impressed by it.
    Hi there, You have done an excellent job. I’ll definitely
    digg it and individually suggest to my friends. I am
    sure they’ll be benefited from this web site.

  7. You could certainly see your expertise in the work you write. The sector hopes for even more passionate writers such as you who are not afraid to mention how they believe. At all times follow your heart. “We are near waking when we dream we are dreaming.” by Friedrich von Hardenberg Novalis.

  8. Hello there! I know this is somewhat off topic but I was wondering which blog platform are you
    using for this website? I’m getting fed up of WordPress because I’ve
    had problems with hackers and I’m looking at alternatives for
    another platform. I would be awesome if you could point me in the direction of a good platform. http://cleckleyfloors.com/

  9. I think this is one of the so much vital info for me. And i’m happy studying your article. However should remark on some common issues, The website taste is wonderful, the articles is truly great : D. Good process, cheers

  10. I am extremely impressed with your writing skills as well as with the layout on your blog. Is this a paid theme or did you modify it yourself? Anyway keep up the nice quality writing, it’s rare to see a nice blog like this one today..

  11. Thanks for the sensible critique. Me and my neighbor were just preparing to do a little research about this. We got a grab a book from our local library but I think I learned more from this post. I’m very glad to see such great information being shared freely out there.

  12. Pingback: cytotmeds.com

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Botão Voltar ao topo

Bloqueador detectado!

Por gentileza desativar o bloqueador de anúncios...